quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Esses tempos

Vivemos tempos de máscaras de violência ou de hipocrisias Vivemos tempo de euforias encardidas de absurdos psicodélicos ameaçarem o bom senso. Vivemos tempos inflados com jovens indo cada um pro seu lado de vidas se jogando nas sombras da razão se apagando diante dos covardes. Vivemos e o tempo se afunila se volta contra nós... Resta saber se vivemos e como vivemos ou se vegetamos sobre as mídias digitais.

Tretas

Há caroço nesse angu Cê não sabe como são essas tretas? cê não vê esses picaretas jogando nas onze fazendo piruetas com o dinheiro dos outros com o sonho dos povos que não sabem pra onde o vento dança... Há caroço nessa revolta há sabor nesse silêncio ele é amargo demasiado vira veneno Mas quem luta dobra nota de cem de sol de cenas não escolhe pauta discute na mesa na rua no bar... Há de se sonhar um sonho ferino de soltar um arroto retinto há de escalar os melhores ressentimentos de peidar os mais íntimos versos de esculachar a autoridade de cheirar o lacrimogênio de esfregar a pimenta dos olhos afinal pimenta na Bahia é tempero.

Relatividade

Vivemos um período de relatividade moral. Eu posso; o outro não. Dois pesos e duas medidas que reforçam a a distância ética em que se apoia o país pronto para ir às ruas pedir o impedimento da presidente da República Dilma. Afinal, precisamos de um vilão para simplificar os debates. Ela é a bola da vez. Apesar de tanta informação, muitos não conseguem formar suas opiniões. Papagaios sociais reproduzem o discurso da mídia e não escondem a falta de melhores argumentos.A posição revoltada concentra-se na superfície dos fatos e não percebem que nem tudo é lama.O debate se empobrece mais ainda quando fica um jogo de empurra como se houvesse apenas um culpado.Isso atesta a incompetência e má-fé das personas envolvidas na bizarra trama. A corrupção não é produto novo.Data de séculos no Brasil.Desde a colonização, a apropriação do bem público é visto como natural e isso não assusta ou indigna ninguém.Não há um partido ou um rosto.Ela está na coletividade que defende a malandragem, o jeitinho para resolver as questões sociais.Essas pequenas vantagens são colocadas de forma inocente, às vezes", outras são colocadas como algo adquirido, um direito a não ser contestado , por mais indecente que seja. Não vamos corrigir ou melhorar o país com gritos de guerra ou ações circenses.Precisamos mudar valores sociais e repensar a nossa conduta no cotidiano.Se isso não ocorrer, será balela, espetáculo bancado pela mídia que deseja que seus favores sejam atendidos.Vivemos , como sempre, uma podridão moral.A diferença é que resolveram fazer espetáculo.Uma pergunta: o episódio Collor não ensinou nada?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Sobre o mesmo tema...

Tenho gostado desse pseudo-debate sobre corrupção patrocinado pela mídia.Tenho gostado , principalmente, das falas indignadas em relação ao PT- partido vermelho, hipócrita,incompetente,ladrão, poleiro de corruptos, face de todo um mal, blablablablabla´s. Gosto do jeito como se mostra indignação, da forma como se levanta o dedo e afirma-se que isso aqui não é Venezuela ou Cuba.Gosto dos Revoltados online e seu discurso , principalmente quando aparece aquele povo dizendo querer "o MEU" Brasil de volta.Gosto de ver que na prática pequenas corrupções acontecem, pequenos favores são feitos e está tudo bem. Ontem conversando com um taxista , ele listou cinco casos de raia miúda de Brasília, que sempre foram governo e que apresentam um padrão social acima dos seus salários.Andam de carros importados,moram em casas nababescas....e fazem campanha contra a corrupção. Corrupção no Brasil não tem partido, não tem credo ou cor. A corrupção é um mal que arranja várias faces para se sustentar junto ao Poder.É preciso estar atento e forte. Não há espaço para simplismos.Vamos elevar o debate. Quem sabe é um começo. Eu não quero o MEU Brasil de volta. Afinal , grande maioria do povo sempre foi invisível para quem manda- mandou- neste país.

Matrix

Sempre que falo de corrupção no Brasil comparo a Matrix, ou seja, existe um mundo que só tomando pílulas podemos descobrir ou enxergar a verdade dos fatos.Esse universo paralelo em que o programa mídia nos entorpece e faz a grande massa ser alheia à realidade. Escolher qual pílula tomar é um problema. Muitos optam pela pílula azul, pois não saber é um bom refúgio.Não contestar problemas, ficar alheio aos debates e seguir o senso comum podem ser úteis para não precisar elaborar um diálogo mais denso e profundo.No entanto, a pílula vermelha, nada a ver com o PT ou outras bobagens - por favor!- , permite enxergar os problemas, buscar um discurso crítico e atuar de forma responsável para buscar soluções. Enfrentar o errado, o corrupto requer coragem e determinação.Estar vacinado contra os hipócritas é uma necessidade. Quebrar esse mundo de máquinas é difícil, afinal a pílula azul tem várias caras: a atuação da mídia, que entorpece a população,que desqualifica a educação e os professores; políticos duvidosos e mal-intencionados que tocam o bem público como algo particular;boa parte da população acomodada que não percebe a alienação imposta e reproduz tudo que dizem; intelectuais que se calam diante das injustiças e não promovem um debate qualificado... Escolher não é problema.É algo legítimo da democracia.Se está ruim o país, devemos começar observando as instituições e seus erros.Escolher culpados e fechar os olhos para os outros problemas é um erro histórico e só uma boa leitura, uma boa escola pode ajudar a superar os problemas que insistem em se repetir. Conhecimento é a única pílula em que acredito e não canso de tomar.E você?

impitiman....

Você que vai às ruas dia 15/03 só deixo uma pergunta: será que um país com 32 partidos políticos pode se livrar do carma da corrupção? Outra questão: por que será que hoje é tão interessante montar um partido? Será que eles lutam e representam os anseios da população? Muitos que estão lá no Congresso apoiaram a queda de Collor e hoje estão se abraçando a ele...Lembre-se : nada que está aí é o que parece. Temos que ir às ruas exigir mudanças estruturais urgentes: Acabar com tantos auxílios disso e daquilo , assim como esse legislar por causa própria.Se a reforma não for profunda, tudo não passará de um embuste histórico, como foram os caras- pintadas.

Palavras soltas

Escrever é um vício. Não importa hora, dia ou desculpa.As letras estranham e esbarram a todo instante em mim.Não reclamo. Durante muito tempo procurei mentir para mim e fracassei. As palavras orbitam e me consomem.Não sou tão penha ou catedral. Durante algum momento olhei sobre as minhas mesmas culpas de antes. Não achei uma justificativa melhor para dizer adeus aos velhos sonhos.Não posso ceder à realidade estranha vestida de michê.Ela é cruel, ela não é santa. Embora procure sonhos,barcos à deriva no cotidiano dos meus fracassos, ainda abro espaço para mãos e lenços me acharem em alguma esquina.É inútil. Não consigo convencer a quiromante que faz plantão na Central do Brasil. Vamos divagando entre punguistas, moradores de rua, traficantes , viciados, fauna selvagem de um Rio marginal.Não tenho tempo para caridades. Olhar para o lado é perder o dinheiro ou a vida para algum pivete apressado em garantir o crack da noite. Entre a sujeira e a urina assisto ao Rio mentir para o turista desavisado. Nem toda cidade é Ipanema.O IDH daqui não é o mesmo. A cidade comprimida entre miséria e mar se arranha, se estranha e se esconde.O mundo tenso não compreende o fracasso das UPPs. Por mais que escreva e me repita é apenas mantra.Apenas.Tudo cheira letra.Tudo late e queima.Tudo fica na mesma berlinda ou esquecimento.Não reclamo.Eu sou um em meio a tantos ignorantes e sujos. A palavra me lava, me purifica e me leva. Tempo algum será como antes.Consolo ou conformismo? Não sei. Volto pra casa e escrevo até o momento em que nada mais fizer sentido e desligar o computador.Ou alguma palavra solta me pegar e levar ao console ou consolo da alma que se deixa conjugar.