terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Palavras soltas
Escrever é um vício. Não importa hora, dia ou desculpa.As letras estranham e esbarram a todo instante em mim.Não reclamo.
Durante muito tempo procurei mentir para mim e fracassei. As palavras orbitam e me consomem.Não sou tão penha ou catedral.
Durante algum momento olhei sobre as minhas mesmas culpas de antes. Não achei uma justificativa melhor para dizer adeus aos velhos sonhos.Não posso ceder à realidade estranha vestida de michê.Ela é cruel, ela não é santa.
Embora procure sonhos,barcos à deriva no cotidiano dos meus fracassos, ainda abro espaço para mãos e lenços me acharem em alguma esquina.É inútil. Não consigo convencer a quiromante que faz plantão na Central do Brasil.
Vamos divagando entre punguistas, moradores de rua, traficantes , viciados, fauna selvagem de um Rio marginal.Não tenho tempo para caridades. Olhar para o lado é perder o dinheiro ou a vida para algum pivete apressado em garantir o crack da noite.
Entre a sujeira e a urina assisto ao Rio mentir para o turista desavisado. Nem toda cidade é Ipanema.O IDH daqui não é o mesmo. A cidade comprimida entre miséria e mar se arranha, se estranha e se esconde.O mundo tenso não compreende o fracasso das UPPs.
Por mais que escreva e me repita é apenas mantra.Apenas.Tudo cheira letra.Tudo late e queima.Tudo fica na mesma berlinda ou esquecimento.Não reclamo.Eu sou um em meio a tantos ignorantes e sujos.
A palavra me lava, me purifica e me leva. Tempo algum será como antes.Consolo ou conformismo? Não sei.
Volto pra casa e escrevo até o momento em que nada mais fizer sentido e desligar o computador.Ou alguma palavra solta me pegar e levar ao console ou consolo da alma que se deixa conjugar.
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